sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

2008: a navegar para bom porto

Chega ao fim o ano de 2007. Ao fazer 70 anos o Santa Maria Manuela teve como presente um “beijo” da Pascoal que o acordou de um sono que muitos julgavam letal. Abriu os olhos e, aos poucos, foi sacudindo a ferrugem que lentamente teimava em paralisa-lo. Pouco a pouco, libertou-se das marcas que o tempo e o abandono o obrigaram a carregar. Hoje começa a ganhar outra vez a auto estima perdida e já sonha com o dia em que vai voltar a saltar sobre as ondas.
Sabe que muitos tratam dele, tem uma nova família, a Pascoal e um capitão que não precisa de embarcar para o liderar e proteger.
O Santa Maria Manuela sente-se feliz e confiante com o novo ano de 2008, e pediu ao Pai Natal 4 mastros novos. Estamos todos a fazer força para que o seu desejo se concretize.

Votos de um 2008 fantástico
A “tripulação” do SMM

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007


Com o SMM no coração: a visita dos Capitães

O coração de um navio é o seu capitão. Todos os que foram capitães de um navio nunca mais o esquecem. A partir desse dia a sua "família" aumenta e o navio passa a ser um ente querido que nunca mais se esquece. É por isso que quando se recupera um navio como o Santa Maria Manuela é, para muitos dos que amam as coisas do mar, como viverem ao vivo o milagre do renascimento. Fomos por isso ouvir alguns dos capitães que comandaram o SMM e gostaríamos de partilhar as suas emoções e os seus ensinamentos com aqueles que visitam este nosso Diário de Bordo.



Da esquerda para a direita: Capitão Vitorino Ramalheira (1966, 67 e 69), Capitão José Mario Gordinho (1968), Capitão João Guilherme Ferreira (1970/90).

A conhecer o novo arranjo geral...

Na doca seca da NavalRia a relembrar velhas "carícias" dos gelos da Terra Nova e Groenlândia.

Fotografias. Aníbal Paião

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

História em fotografias I

O Santa Maria Manuela, na sua versão original na Empresa de Pesca de Viana, carregado, a entrar no porto de Leixões.

O Santa Maria Manuela foi vendido à Empresa de Pesca Ribau em Novembro de 1963 e chegou a Aveiro já com os mastaréus cortados tendo, no entanto, navegado com a configuração de lugre até 1966.

Na mesma doca flutuante onde hoje se procede à recuperação…

Em 1967 foram retirados 2 mastros, o gurupés e instalou-se um novo motor.

O Santa Maria Manuela em St. Johns em 1969, tendo "por fora" o N/M “Rio Antuã”.


Continua…

Especiais deferências...

Este novo espaço do nosso blog pretende dar a conhecer os presentes que o Santa Maria Manuela recebe dos seus Amigos. São recordações e pedaços de história que lhe vão sendo oferecidos.


Hoje publicamos as fotografias de uma recordação muito especial.
O Capitão Marques da Silva, como conselheiro especial da Pascoal para o projecto de reconstituição do SMM, teve a gentileza de construir e oferecer uma maqueta do mastro da mezena que será um precioso auxiliar técnico para os projectistas. Posteriormente será incorporada numa maqueta do SMM na sua versão original.




sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Fotografias Novembro III




Fotografias. João Margalha


Com o SMM no coração...

O nosso convidado da rubrica “Com o SMM no coração…” é esta semana o Capitão António Marques da Silva. Fez o curso Geral de Pilotagem Náutica na Escola Náutica de Lisboa e posteriormente o curso de Capitão da Marinha Mercante. Embarcou em vários veleiros de pesca de bacalhau, nomeadamente no Creoula, Argus e Gazela Primeiro.Em 1981 foi convidado para supervisionar os trabalhos de adaptação do lugre Creoula a navio-escola.Está representado no Museu Marítimo de Ílhavo com vários modelos de navios e trabalhos de marinharia. É também autor de diversos livros sobre a pesca do bacalhau, de grande rigor técnico e emocionante estilo literário. Um Homem com o mar no coração e o coração no Santa Maria Manuela.

Qual a importância que atribui à recuperação do lugre Santa Maria Manuela?
Como foi grande a satisfação que senti quando tive conhecimento que o “Santa Maria Manuela” ia começar a ser recuperado! Esta estirpe de veleiros tem colada em si tão grande nobreza de alma que, no meu entender, não podem acabar morrendo aos poucos, amarrados ao cais. Ou recuperados como velhos heróis que se estimam, ou deixa-los ficar no fundo do mar, que tão bem conheceram e com quem partilharam orgulhosamente dias bons e maus. O “St. Maria Manuela” alcançou um amigo que gostou dele e que resolveu dar-lhe uma mão para o ajudar a sobreviver. Como é tão bom ter um amigo!

Quais são as suas expectativas futuras?
A evolução dos trabalhos que tenho vindo a observar, alegram-me e animam-me, porque mesmo pousado nos picadeiros da doca seca, o navio já voltou a sorrir, a quem para ele olhar com atenção. Como estes navios tem alma! Como eles conhecem os seus amigos! Não sei se ele precisará da minha ajuda, mas se assim for, pode estar certo que tem mais um com que contar. Para o futuro que aí virá, eu desejo a este nobre veleiro as maiores venturas. Ao seu novo armador, eu rogo que continue com a coragem, o ânimo e a determinação que o levaram a deitar mão a esta grande obra. Ver novamente este navio aparelhado e armado, saindo a barra, levando a bordo grupos de jovens e de amigos das coisas do mar, será para mim uma grande satisfação. Para eles, estou certo que em nenhum outro lugar é possível receber tão fortes e inesquecíveis emoções e específicos ensinamentos que só o convés de um veleiro pode proporcionar.
Capitão AntónioMarques da Silva

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

João Margalha fotografa o Santa Maria Manuela

João Margalha é o fotógrafo convidado para acompanhar a recuperação do navio. Todas as semanas executa um levantamento das principais fases do avanço dos trabalhos.Nasceu em 1966 no Barreiro, vivendo e trabalhando em Aveiro.É licenciado em Planeamento Regional e Urbano (1991) e Mestre em Planeamento e Projecto do Ambiente Urbano (2003).Iniciou a prática artística em 2003. Participou em várias exposições individuais e colectivas, nomeadamente nos “Rencontres Internationales de la Photographie” em Arles (França) em 2005. No mesmo ano, foi vencedor do Prémio Fnac Novo Talento Fotografia. Recebeu também uma menção honrosa da 9º Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira.

Fotografias Novembro II

Retirada a madeira totalmente inaproveitável...

Convés totalmente revestido a chapa para posterior assentamento do revestimento em ripado de madeira.

Fotografias. Aníbal Paião

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Fotografias Novembro I


Fotografias. Aníbal Paião

Com o SMM no coração...

Hoje a nossa “convidada” é Ana Paula Vizinho, uma jovem velejadora portuguesa. Participou em 2000, na regata comemorativa dos 500 anos do Descobrimento do Brasil a bordo da caravela “Boa Esperança”.
Em 2002, partiu rumo à Antárctida naquela que foi a primeira expedição portuguesa do género.

Qual a importância que atribui à recuperação do Santa Maria Manuela?
“Recuperar o Santa Maria Manuela é, para mim, dar vida a toda uma memória cultural marítima que correria o risco de ficar esquecida.”

Quais são as suas expectativas futuras?
“Para além do perpetuar da memória (cultural e marítima), o “Santa Maria Manuela a navegar” representará o alargamento do território turístico português além dos 008º30’W. O turismo desportivo náutico existe e espero vê-lo muito mais enriquecido, após o “Bota-abaixo” deste magnífico veleiro que será o Santa Maria Manuela. Não posso negar que aguardo com expectativa a oportunidade de participar numa das suas futuras expedições”

Ana Paula Vizinho

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Com o SMM no coração...

Hoje a nossa “convidada” é a Dra. Ana Maria Lopes, licenciada em Filologia Românica pela Faculdade de Letras de Coimbra, sempre demonstrou um grande amor e ligação ao mar e à sua cultura.Desenvolveu pesquisas no campo das actividades da ria e do mar, numa perspectiva etnográfica-linguística.Na década de noventa, foi Directora do Museu Marítimo de Ílhavo, tendo sido autora de diversos livros e catálogos de exposições cujos temas navegam entre a ria, o mar e as suas gentes.

Qual a importância que atribui à recuperação do Santa Maria Manuela?
“Acho que a recuperação do Santa Maria Manuela um desafio empolgante muito bem entregue nas mãos da dinâmica empresa Pascoal”

Quais são as suas expectativas futuras?
“Além de dar vida a toda uma memória, a pesca do bacalhau à linha, o Santa Maria Manuela, no domínio do turismo cultural marítimo, divulgará o nome da sua Empresa e região além fronteiras.Espero igualmente ver realizadas outras tarefas importantes junto da juventude, das universidades e dos museus marítimos.”

Dra. Ana Maria Lopes

Fotografias Outubro/Novembro II


Fotografias. João Margalha

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Com o SMM no coração...

Iremos publicar neste blog pequenas entrevistas sobre o projecto do Santa Maria Manuela, essas entrevistas são feitas a pessoas ligadas ao mar, aos navios e à cultura marítima portuguesa.
Hoje o nosso “convidado” é o Capitão Vitorino Ramalheira, foi capitão nas campanhas de 1966, 1967 e 1969.A campanha de 1966 foi a última viagem do Santa Maria Manuela com a configuração de lugre com 4 mastros.

Qual a importância que atribui à recuperação do SMM?
“Sem dúvida, a notícia da recuperação do SMM, além de nos ter dado grande alegria, passou a constituir um último (?) marco importante da Faina Maior: a) dar vida a um veleiro, condenado à sucata, triste destino dos navios envelhecidos; b) passar a marinha nacional a dispor de mais uma bela unidade, numa notável recuperação, sabiamente dirigida, que torna um sonho ilhavense numa realidade histórica; c) ser o pólo vivo da Faina Maior, completando a oferta do Museu Marítimo de Ílhavo, permitindo que gerações de ilhavenses, possam desfrutar e possuir um dos mais belos navios da nossa frota que, sulcando de novos os mares, nos encherá de orgulho e satisfação; d) por último, tendo sido um dos seus capitães, não deixarei de sentir um grande júbilo, pela coragem e tenacidade de quem sonhou, empreendeu e dará vida a tão gracioso e notável navio, na sua traça original.”

Quais são as suas expectativas futuras?
“Auguro para este renovado “Santa Maria Manuela”, um futuro risonho como barco de lazer ou de aprendizagem náutica, para jovens portugueses (ou de outras nacionalidades, porventura) que nele possam embarcar, quer em viagens de turismo ou como navio-escola, quer ainda como extensão do Museu Marítimo de Ílhavo, durante as estadas no porto.Não tenho dúvidas de que elevará bem alto o nome da nossa cidade e das suas gentes e nos trará grandes benefícios.”

Capitão Vitorino Ramalheira, ex-capitão do Santa Maria Manuela

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Rumo à inovação II - Y Dreams vêm conhecer o projecto Santa Maria Manuela

O Presidente e o vice Presidente da Y Dreams, António Câmara e Edmundo Nobre realizaram um almoço informal com a equipa do Santa Maria Manuela liderada por Aníbal Paião, para um primeiro conhecimento do projecto.
Da reunião resultaram ideias potenciais para colaborações futuras com vista a tornar o navio um embaixador das tecnologias e do conhecimento “Made in Portugal”.

Rumo à inovação I - Santa Maria Manuela desafia Inova-Ria

No decorrer do workshop intitulado “Telecomunicações o motor da inovação na região” promovido pela Inova-Ria no dia 23 no Museu Marítimo de Ílhavo, Aníbal Paião, administrador da Pascoal & Filhos SA apresentou o projecto Santa Maria Manuela lançando o desafio Inova-Ria de “…de se juntar a este projecto, em condições e metodologia a acordar, por forma a que este cluster se interesse por inovar também na área da economia marítima, onde designadamente as telecomunicações são imprescindíveis porque constituem factores de segurança, incorporando no navio um conjunto de inovações marcantes”. Aníbal Paião, afirmou em seguida que “o navio apresenta as condições ideais para que os mais modernos processos de inovação tecnológica possam ser apresentadas ao país e ao mundo”.Carlos Zorinho, Coordenador do Plano Tecnológico referiu na sua intervenção de encerramento do encontro que o projecto Santa Maria Manuela “era um exemplo de como é possível combinar a história com a modernidade” sugerindo mesmo a realização de encontros desta natureza a bordo do navio. Paulo Nordeste, Presidente da PT inovação, em nome da Inova-Ria aceitou o desafio lançado afirmando todo o interesse e disponibilidade para encontrar forma de participação efectiva no projecto.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Reunião do Conselho Consultivo do Santa Maria Manuela

Reuniu no dia 23 de Outubro, no espaço Santa Maria Manuela na sede da Pascoal & Filhos, S.A, o conselho consultivo do projecto, constituído pelo Eng.º José Ribau Esteves (presidente da Câmara Municipal de Ílhavo), Prof. Dr. Manuel Assunção (Universidade de Aveiro) e Eng.º Rui Paiva (Administração do Porto de Aveiro) com Dr. Aníbal Paião (Administração da Pascoal) e a restante equipa de coordenação do projecto. Foi feito um ponto de situação dos trabalhos em curso nas diversas áreas: registo, projecto técnico e programação. Todas as entidades reafirmaram a sua maior disponibilidade e interesse na participação e acompanhamento do projecto.
Estas reuniões terão uma periodicidade semestral.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Desenho Técnico


O Santa Maria Manuela

O navio Santa Maria Manuela com comprimento de 62,83 m era um lugre de 4 mastros construído nos estaleiros da Companhia União Fabril, em Lisboa no ano de 1937 com destino à pesca do bacalhau tendo feito parte da famosa “Portuguese White Fleet”. É irmão gémeo do lugre “Creoula”, hoje navio de treino de mar operado pela Marinha Portuguesa. Em 1993, apesar de todas as transformações sofridas, o navio foi considerado obsoleto sendo abatido por demolição ao registo dos navios de pesca tendo apenas sido preservado o casco. Em 1994 um conjunto de 17 instituições públicas e privadas, criaram a Fundação Santa Maria Manuela com vista a iniciar o processo de recuperação do navio para a sua traça original.A Fundação embora tivesse contado com forte empenhamento dos seus membros, nunca conseguiu concretizar completamente os objectivos para que foi criada e, passados 12 anos desde a sua institucionalização, encontrava-se totalmente paralisada numa situação de impasse quanto ao desenvolvimento orgânico e funcional do projecto inicial. Em 2007, por acordo unânime entre os membros da Fundação, a empresa Pascoal & Filhos, S.A. tornou-se gestora e proprietária do casco do navio comprometendo-se a manter o espírito e os objectivos centrais que presidiram a criação da Fundação numa base de sustentabilidade económico-financeira.

O Promotor

A Pascoal e Filhos, S.A, exerce a sua actividade como armador de navios de pesca do largo complementada com uma forte componente industrial de produção de bacalhau seco, ultracongelado demolhado e refeições pré-cozinhadas congeladas e refrigeradas. É reconhecidamente responsável por todas as importantes inovações tecnológicas ao nível de processos e produtos introduzidos no sector nos últimos 15 anos, tendo acrescentado a inovação e a conveniência, valores da modernidade, à qualidade e confiança, valores tradicionais da marca, subjacentes a métodos, práticas e gama de produtos. É uma Empresa de registo aberto, transparente, não discriminatória, com consciência social e cultural, visando a procura de um desenvolvimento sustentável para todas as suas actividades que, como se calcula, têm como denominador comum o relacionamento com o Mar e actividades que, de alguma forma, lhe estejam conexas. Neste contexto, para além de participar activamente no movimento associativo sectorial, a Pascoal mantém há muitos anos um intenso relacionamento institucional com o Museu Marítimo de Ílhavo, com a Universidade de Aveiro, nomeadamente no apoio à Fábrica Centro Ciência Viva de Aveiro, tendo participado e apoiado genericamente todas as melhores iniciativas que, nos últimos anos, auxiliaram à promoção da cultura marítima portuguesa.